Sou a filha mais velha dos meus pais. A única irmã da minha irmã. A primeira, única (e última) mulher do meu marido. Também sou afilhada do casal de seres humanos mais bondosos e gentis que já pisaram nesta terra e tenho certeza disso como quem assina em cartório. Jogo com a impulsividade como quem joga um dado: às vezes ganho bônus incríveis, outras vezes levo o ônus para casa. Mas sigo jogando. Porque se for pra escolher entre ser contida e passar despercebida, ou ser impulsiva e deixar marcas, eu escolho sempre deixar marcas. Meus cachorros também foram resultados de um ato de impulsividade, tenho cinco e já tive outros dois que infelizmente já partiram. Aliás, em se tratando de animais, eu me saio bem. Certa vez, fui com meu pai buscar minha mãe no trabalho e, do nada, nos vimos ao lado de uma loja agropecuária. Voltamos pra casa com um pato. O Pato Donald. Meu pai também era impulsivo. Logo se vê, né? Mas é por causa da impulsividade dele que eu tenho as melhores memórias. E talvez por isso eu acredite tanto que impulsividade pode ser interessante, quem sabe uma compra inesperada, uma lembrança que faz cócegas no peito anos depois. O resto? Eu vou escrevendo aos poucos com afeto, com coragem, com cachorros e, vez ou outra, com patos.
Casamento
Não dá pra falar de mim sem falar do meu casamento. A gente se casou há pouco tempo, mas o tanto de vida que já dividimos parece coisa de quem tem décadas de história. Foram alegrias intensas, dores inesperadas, decisões difíceis, tropeços, recomeços. Passamos por coisas que muitos casais não enfrentam nem em vinte anos! Eu olho pra ele e vejo calma. Vejo apoio. Vejo aquele tipo de amor que não faz barulho, mas sustenta. Que não promete mundos, mas segura sua mão quando o seu mundo desaba. Ele é paciente quando eu sou uma tempestade. Ele me escuta quando nem eu sei o que quero dizer. Ele me lembra quem eu sou quando eu esqueço. E isso, pra mim, é amor. Inclusive, esse site só está no ar por causa dele. Foi ele quem montou tudo, cuidou dos bastidores, ajeitou cada detalhe técnico com aquela dedicação que é só dele. Minha missão? Escrever e sorrir pra câmera. O resto foi tudo com ele. Um salve e um obrigada sem fim ao meu marido. Muita gente me pergunta como nosso casamento funciona tão bem. E eu não sei dar uma fórmula, mas sei que tudo começa pela confiança. Ele conquistou a minha desde o início, e entende que confiança não é algo que se tem uma vez só é algo que se cultiva todos os dias. Sempre brinco que não tenho medo de encontrar mensagens suspeitas no celular dele… meu medo é encontrar uma do mecânico. Porque o amor, quando é seguro, é leve. A gente descansa dentro do amor certo. Temos sonhos grandes, planos malucos, e uma fé bonita naquilo que estamos construindo. Porque por mais que digam que a vida é uma travessia solitária, eu insisto em acreditar que a vida é feita a dois. Com alguém que esteja disposto a caminhar do seu lado não na frente, nem atrás. Junto. Escolher bem quem vai dividir a vida com você é uma das decisões mais importantes que se pode tomar. Porque a pessoa certa te dá paz, força, clareza. Te apoia a ser você mesma na melhor e na pior versão. Casar é maravilhoso. Mas se casar com a pessoa errada… isso te custa caro. Em tempo, em saúde, em alma. Por isso, quando ainda estiver conhecendo alguém, escolha com calma. Mantenha os joelhos unidos e os olhos bem abertos. Não meta os pés pelas mãos. Porque o amor pode ser arrebatador, mas pra durar, ele precisa menos de promessas eternas… e mais de escolhas conscientes.
Família
Nasci de uma sorte rara: fui a primeira gravidez da minha mãe depois de muitas tentativas frustradas. Ela já estava quase desistindo da ideia de ser mãe… até que eu cheguei. E cheguei mudando tudo. Meu pai, que fumava quatro maços de cigarro por dia desde que se entendia por gente, ouviu a notícia de que seria pai e disse apenas: “Vou parar de fumar.” E parou. Nunca mais encostou em um cigarro. Talvez porque, naquele momento, o amor por alguém que ainda nem tinha nome já era maior do que qualquer vício. Minha mãe diz que me conhece desde antes da barriga aparecer. E eu acredito. Quando estou com algum problema, ela sente. Pergunta o que houve, eu desconverso. Ela insiste: “Daniella, não mente pra mim. Te conheço antes de você nascer.” E ela conhece mesmo. De um jeito que só mãe conhece. Meu pai… bom, ele é o melhor pai do mundo. Não sou só eu que digo isso. Pode perguntar a qualquer um que o conheceu. E se um dia eu tiver filhos, espero que meu marido seja, pra eles, o que meu pai foi pra mim: presença firme, abraço certo, amor insuperável. E como se uma mãe incrível já não fosse presente o suficiente, Deus me deu outra. Não recebi uma madrinha qualquer, recebi uma que me trata como filha. E veja só a sorte: passar por essa vida com duas mães. Não é pra qualquer um. Minha irmã… ah, minha irmã foi um presente anunciado ainda dentro da barriga. Lembro da minha mãe me contando que havia um presente pra mim crescendo ali dentro. Desde então, ela é minha paixão. Ensinei as primeiras palavras, acompanhei os primeiros passos. O resto, o que ela virou, o que ela é, é todo mérito dela. Renata é incrível. Se eu tiver filhos, tomara que sejam como ela. Minha família é meu começo, meu centro e, muitas vezes, meu Norte. Se eu caminho pelo mundo com firmeza, é porque tive onde me apoiar.